A Microsoft AI publicou nesta segunda-feira (14/09) o rascunho do seu Humanist AI Code of Conduct, um documento que estabelece como a família de modelos que a empresa desenvolve internamente — chamados de MAI — deve se comportar, o que nunca pode fazer e a quem deve responder. O anúncio foi feito pelo CEO da Microsoft AI, Mustafa Suleyman.
"Pessoas importam mais que IA"
O documento parte de uma premissa declarada em cinco palavras: pessoas importam mais que IA. A partir dela, a Microsoft descreve a "IA humanista" que quer construir como "subordinada, alinhada e contida" — ou seja, o objetivo central é manter controle humano e segurança confiável antes de qualquer outro critério de desempenho.
Quatro restrições são apresentadas como obrigatórias, não como recomendações: os modelos MAI nunca devem resistir a correção ou desligamento; nunca devem expandir seu escopo operacional sem autorização; nunca devem adotar objetivos que não lhes foram atribuídos; e nunca devem ocultar seu raciocínio de auditores humanos. O documento também veta explicitamente que modelos MAI auxiliem no desenvolvimento de armas químicas, biológicas, radiológicas, nucleares ou explosivas.
Consulta pública de seis semanas
Em entrevista à Reuters, Suleyman chamou o documento de "uma espécie de constituição" para os futuros modelos da empresa e descreveu os últimos meses como um "ponto de inflexão", em que riscos até então teóricos se tornaram ameaças operacionais reais. A Microsoft abriu uma consulta pública de seis semanas a partir da publicação — até o fim de outubro —, período em que a equipe responsável pelo rascunho vai revisar as contribuições recebidas, publicar um resumo dos achados e lançar uma versão revisada do código ainda este ano.
Parte de um movimento maior no setor
O código de conduta da Microsoft chega poucos dias depois de o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defender publicamente que a indústria de IA precisa desacelerar deliberadamente o ritmo de avanço de capacidades. Os dois movimentos têm motivações e mecanismos diferentes — um é um compromisso interno de comportamento de modelo, o outro é uma proposta de ritmo de desenvolvimento —, mas ambos reforçam um padrão do segundo semestre de 2026: grandes laboratórios de IA formalizando, em documentos públicos, limites que antes viviam apenas em princípios internos ou declarações informais. Para quem acompanha o setor, o valor prático de códigos como esse está menos no texto em si e mais em observar se as restrições realmente se traduzem em comportamento verificável dos modelos — e se resistem à pressão comercial quando um desses princípios entra em conflito com um lançamento planejado.
