Nubank e Mercado Pago suspenderam temporariamente transferências de criptomoedas nesta sexta-feira, 6 de novembro. Em nota à imprensa, o Nubank atribuiu a interrupção de depósitos e saques à instabilidade de um fornecedor externo de dados e afirmou que os ativos e as informações dos clientes seguem protegidos. A compra e a venda de cripto dentro do app continuavam disponíveis, conforme a Exame. O banco vinculou a retomada das transferências ao restabelecimento do fornecedor, sem divulgar prazo. Nota do Nubank publicada pelo UOL · Apuração da Exame.

O Nubank foi hackeado?

Até esta publicação, a invasão ao Nubank não estava confirmada. A suspeita circulou depois que a Paradigma Education publicou no X uma imagem atribuída ao app e associou a interrupção a um possível ataque a um fornecedor. A mensagem exibida no aplicativo informava que depósitos e saques estavam indisponíveis. A versão oficial situa a ocorrência fora da infraestrutura do Nubank, e o banco ainda não identificou o fornecedor nem detalhou a causa técnica. Relato inicial do BitNotícias · Nota do Nubank publicada pelo UOL.

A Chainalysis é uma pista porque o Nubank já informou que usa sua tecnologia para monitorar endereços em blockchain. Em um incidente próprio, a Chainalysis suspendeu serviços de verificação de transações e anunciou, às 5h30 de Brasília desta sexta, que começava a devolver o acesso aos clientes em etapas. A parceria e a proximidade das datas justificam a investigação. Ainda falta uma fonte que ligue a falha desses serviços à interrupção do Nubank. Parceria descrita pelo Nubank · Comunicado da Chainalysis, em inglês.

O que informou o Mercado Pago

Um aviso no aplicativo do Mercado Pago, reproduzido pela Agência Estado, informou que transferências de criptomoedas estavam temporariamente indisponíveis em 6 de novembro e que depósitos poderiam ser creditados com atraso. A empresa citou instabilidade no sistema. As fontes consultadas não confirmam um ataque ao Mercado Pago nem uma causa comum com o Nubank. Apuração da Agência Estado.

O que para no app e o que acontece na blockchain

Uma transferência cripto passa por etapas diferentes. O aplicativo recebe o pedido, a instituição aplica verificações e autoriza a movimentação, e a rede registra a transação quando ela é enviada e validada. Uma falha nas verificações pode interromper o caminho antes de a transação chegar à rede. É por isso que a disponibilidade de um saque pode depender de um fornecedor mesmo quando a blockchain continua operando.

Há outro cenário. Se alguém obtém acesso indevido ao sistema que assina transações de uma carteira, a rede pode aceitar e registrar uma movimentação que segue suas regras técnicas, embora a instituição jamais tenha aprovado aquele envio. Nos casos recentes de Binance e Mercado Bitcoin, os relatos públicos apontam para sistemas de assinatura ou carteiras operacionais. A investigação das transferências do Mercado Bitcoin usou os registros das próprias redes para rastrear ativos. Esse rastro ajuda a investigar e, em determinadas condições, a bloquear parte dos valores. Recuperar os ativos exige medidas adicionais. Relatório preliminar da Binance, em inglês · Comunicado do Mercado Bitcoin · Relato do rastreamento, em inglês.

Onde a IA aparece nos ataques recentes

No ataque de 29 de outubro, a Binance descreveu entrevistas de emprego falsas, código malicioso instalado em um computador de trabalho e o uso de uma ferramenta interna de IA para avançar sobre outros acessos. A engenharia social ajudou a abrir caminho. A ferramenta de IA entrou numa etapa posterior, segundo a investigação preliminar da corretora. A Chainalysis, por sua vez, relatou técnicas agênticas no ataque aos próprios sistemas. As fontes consultadas não estabelecem uso de IA na origem do ataque ao Mercado Bitcoin nem na interrupção do Nubank. Investigação preliminar da Binance, em inglês · Relato da Chainalysis, em inglês · Comunicado do Mercado Bitcoin.

A defesa precisa acompanhar as permissões

À medida que assistentes de IA passam a operar ferramentas, o risco cresce com o que essas ferramentas conseguem fazer em nome de alguém. Um assistente com acesso a código, um token que permite publicar software e um serviço que assina transações podem parecer responsabilidades separadas. Se as permissões criam um caminho entre eles, o comprometimento de um computador pode alcançar uma operação financeira.

Para quem constrói esses sistemas, um bom teste é simular dois eventos diferentes. Primeiro, derrube o fornecedor que verifica as transações e observe quais funções continuam disponíveis, o que fica em fila e o que o cliente consegue ver. Depois, simule uma credencial comprometida e verifique se limites, alertas e aprovação independente conseguem impedir uma movimentação. O resultado mais importante é saber onde a operação consegue parar com segurança, antes que seja preciso rastrear o dinheiro.